
Pesquisa reúne instituições de referência em saúde mental e contará com a participação de professores e estudantes da UniMAX
O Centro Universitário Max Planck (UniMAX) iniciou nesta segunda-feira (22/06) sua participação no SAVE Study, um estudo inovador voltado à prevenção do suicídio em pacientes de alto risco atendidos em unidades de urgência e emergência de Indaiatuba. Desenvolvido em parceria com o Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e outras instituições de referência na área, o projeto contará com a atuação direta de professores e alunos da UniMAX em diferentes etapas da pesquisa.
O estudo tem como objetivo avaliar e comparar diferentes abordagens para a prevenção do suicídio, uma das principais causas de morte evitável no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é responsável por mais de 720 mil mortes todos os anos.
No Brasil, os indicadores seguem preocupantes: segundo dados do Ministério da Saúde, o país registrou mais de 16 mil mortes por suicídio em 2024, evidenciando a necessidade de ampliar o acesso a estratégias eficazes de prevenção e cuidado em saúde mental.
Diferentes estratégias
Tendo como pesquisadores principais o Dr. Rodolfo Furlan Damiano e o Dr. Euripedes Constantino Miguel, da FMUSP, o SAVE Study será conduzido por meio de um ensaio clínico randomizado e controlado de fase 4, considerado o primeiro estudo em larga escala realizado em condições reais de atendimento a comparar diretamente uma intervenção farmacológica de ação rápida e uma intervenção psicológica baseada em evidências científicas para prevenção do suicídio.
A pesquisa avaliará três diferentes abordagens: a utilização da cetamina associada ao Tratamento Habitual Otimizado (THO); a aplicação do Plano de Resposta à Crise (PRC), também combinada ao tratamento habitual; e um terceiro grupo que receberá o Tratamento Habitual Otimizado (THO).
A cetamina é um anestésico já utilizado há décadas e que, em doses menores e sob supervisão médica, gera um importante efeito antidepressivo em poucas horas, promovendo rapidamente novas conexões neuronais e aliviando a crise em pacientes de alto risco.
Já o PRC é uma intervenção psicológica estruturada, em que, com auxílio de uma conversa guiada com profissional de saúde mental, o paciente elabora um plano personalizado com estratégias de enfrentamento, identificação de gatilhos e uma rede de suporte acionável, aumentando sua capacidade de atravessar momentos críticos com mais segurança.
O THO, por sua vez, corresponde ao cuidado padrão já oferecido pelos serviços de saúde mental: acompanhamento com psiquiatra e psicólogo, medicação e encaminhamentos adequados. No estudo, ele é "otimizado" porque segue protocolos rigorosos de qualidade, servindo como referência para comparar a eficácia das demais abordagens.
Embora as estratégias usuais do THO sejam importantes, seus efeitos geralmente não são imediatos, podendo levar dias ou semanas, o que reforça a necessidade de alternativas mais ágeis para momentos de crise aguda.
O objetivo é verificar quais estratégias apresentam melhores resultados na redução da ideação e dos comportamentos suicidas, contribuindo para a construção de políticas públicas mais eficazes e acessíveis.
"É justamente nesse contexto que o SAVE Study busca ampliar o conhecimento científico sobre alternativas capazes de oferecer respostas eficazes durante os momentos de crise. A cetamina surge como uma possibilidade de resposta mais rápida para pacientes em crise, enquanto o Plano de Resposta à Crise é uma abordagem promissora que ainda não faz parte da rotina da maioria dos serviços de saúde", explica o psiquiatra e professor do curso de Medicina da UniMAX, Dr. William Augusto Araujo.
Voltado a pacientes a partir dos 14 anos de idade, o estudo poderá incluir pessoas atendidas nos Prontos-Socorros de Indaiatuba que atendam aos critérios estabelecidos pelos pesquisadores. A expectativa é acompanhar 450 participantes durante o período de um ano após o primeiro atendimento.
Na UniMAX, a pesquisa contará com a participação dos professores William Augusto Araujo e Luiz David Finotti Carrijo, além de quatro alunos do curso de Medicina da instituição vinculados ao Programa de Iniciação Científica (PIC): Azuele Maria da Silva Taborda Rocha, Eduardo Gonzales Mussi, Leonardo de Almeida Prado e Roberta Cortes. A equipe será responsável pela seleção dos participantes, coleta de dados e aplicação das intervenções previstas no protocolo.
Formação acadêmica
Além de contribuir para o avanço do conhecimento científico, o SAVE Study proporcionará uma experiência acadêmica diferenciada aos estudantes envolvidos.
Segundo o docente da UniMAX, os participantes terão contato direto com atividades clínicas e científicas de alta complexidade. "Os alunos desenvolverão habilidades de entrevista clínica, avaliação de risco em saúde mental e conhecimentos em abordagens terapêuticas farmacológicas e psicológicas. Além disso, estarão inseridos em um ambiente de discussão científica de altíssimo nível, ao lado de pesquisadores de referência internacional na área da saúde mental", destaca.
Para o Dr. William Augusto Araujo, a participação em um projeto dessa dimensão representa uma oportunidade única de formação profissional e acadêmica. "Esse é o maior estudo em cetamina para saúde mental já realizado no mundo. Os alunos terão uma oportunidade ímpar de participar de uma pesquisa que pode influenciar a assistência em saúde mental globalmente. Trata-se de um divisor de águas na formação acadêmica de cada um dos envolvidos", afirma.
O projeto é gerenciado pelo CISM e desenvolvido em parceria com a secretaria municipal de Saúde de Indaiatuba. A iniciativa reúne pesquisadores de instituições nacionais e internacionais de destaque, incluindo especialistas ligados à Universidade de Yale e à Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, ampliando ainda mais as oportunidades de aprendizado e produção científica para os estudantes participantes.






