
Experiência permite que futuros médicos acompanhem processos de captação e doação de órgãos, unindo aprendizado técnico, empatia e humanização
Os estudantes do curso de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX) têm a oportunidade de acompanhar, na prática, processos de captação e doação de órgãos por meio da parceria da instituição com o Hospital Augusto de Oliveira Camargo (Haoc), em Indaiatuba. A experiência proporciona aos futuros médicos uma formação que vai além do conhecimento técnico, envolvendo também aspectos emocionais, éticos e humanizados do cuidado com pacientes e familiares.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2026 já foram realizados 3.778 transplantes de órgãos no Brasil. Desse total, aproximadamente 66% correspondem a transplantes de rim, enquanto os transplantes de fígado representam cerca de 27%.
Apesar dos avanços, cerca de 49 mil brasileiros ainda aguardam por um transplante de órgão, sendo a maior parte na fila por um rim. Em relação aos transplantes de córnea, o país já contabiliza 6.710 procedimentos neste ano, enquanto outras 36.586 pessoas seguem aguardando por uma nova chance de enxergar.
Segundo o professor do curso de Medicina da UniMAX, coordenador do Programa de Residência Médica do Haoc e responsável pela comissão de doação de órgãos do hospital, Dr. Urbano Galindo, a participação dos alunos nesse processo contribui diretamente para a formação médica prática e humanizada. “Os estudantes têm a oportunidade de experimentar desde o aprendizado técnico e prático até participar integralmente de todo o processo emocional envolvido”, explica.
Aprendizado e humanização
Durante a vivência, os alunos acompanham todas as etapas relacionadas à doação de órgãos, incluindo o acolhimento às famílias dos pacientes. “Eles entendem como é importante esclarecer dúvidas, amparar dentro do possível e oferecer um atendimento humanizado. Isso os torna médicos melhores, mais resilientes e cada vez mais preocupados com o cuidado integral ao paciente e à família”, destaca o docente.
O impacto emocional da experiência também faz parte do aprendizado. De acordo com Dr. Urbano, os estudantes convivem com sentimentos de solidariedade e empatia diante da dor das famílias, ao mesmo tempo em que compreendem a dimensão transformadora da doação de órgãos para outras pessoas que aguardam por um transplante.
Outro diferencial da UniMAX é a estrutura disponível para apoio às operações de transplante, incluindo suporte para pouso e decolagem de helicópteros, fator considerado essencial em situações que exigem rapidez no transporte de órgãos. “Essa estrutura facilita muito o processo, principalmente em casos envolvendo órgãos como o coração, que possuem um tempo muito curto para transporte e demandam deslocamento por aeronave. Esse acesso é fundamental”, ressalta.
Experiências e transformações
Para a estudante do 5º ano de Medicina da UniMAX, Marcelly Teobaldo, acompanhar um processo de captação e doação de órgãos foi uma experiência transformadora. “Essa é uma experiência que nos transforma como alunos, profissionais e pessoas. Estar na sala de cirurgia, ver como os órgãos se conectam, acompanhar toda a sincronia do procedimento, é incrível”, relata.
A estudante também destaca o impacto emocional vivido durante o processo. “A gente fica muito reflexivo, porque estamos diante de um paciente que perdeu a vida, pensa na família que está triste com aquela situação, mas também entende que aquela vida está ajudando muitas outras pessoas e oferecendo uma segunda chance. Isso transforma a gente”, afirma.
A importância da doação de órgãos também faz parte da trajetória pessoal do pró-reitor acadêmico da UniMAX, professor Hércules Domingues. Em 2021, ele recebeu um transplante de fígado após enfrentar uma hepatite medicamentosa fulminante, desenvolvida depois de complicações causadas pela Covid-19.
Após ter 30% do pulmão comprometido pela doença e passar por tratamento medicamentoso, Hércules precisou entrar na fila de transplante em caráter de urgência. “Não é fácil ouvir que você precisa de um transplante. Em menos de uma semana, me chamaram com um órgão que poderia ser compatível e fui transplantado no dia seguinte”, relembra.
Hoje, ele celebra a oportunidade de continuar vivendo e acompanhar o crescimento do neto, Vicente. “A vida deve continuar. Eu tive a oportunidade de receber um ato de amor extremo, de uma família que, em um momento de dor, resolveu doar. Não existe amor maior ao próximo. A doação de órgãos salva vidas e oferece uma nova chance de viver”, destaca.






