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Caco Barcellos defende importância do aprendizado na prática para a formação de novos profissionais durante evento da UniMAX e UniFAJ

Caco Barcellos defende importância do aprendizado na prática para a formação de novos profissionais durante evento da UniMAX e UniFAJ

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Convidado especial do evento de abertura do ano letivo, jornalista que está à frente do Profissão Repórter há 20 anos falou sobre educação, escuta e ética na capacitação de jovens em tempos de inteligência artificial e informação acelerada

Convidado especial do evento de boas-vindas aos docentes do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ) e do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), que marcou oficialmente o início do ano letivo, o jornalista Caco Barcellos compartilhou reflexões sobre educação, prática profissional e formação ética. 

À frente do programa Profissão Repórter desde 2006, quando o programa foi idealizado e passou a ir ao ar, tornando-se uma verdadeira escola de jornalismo na televisão brasileira, Caco Barcellos falou sobre sua experiência na capacitação de jovens repórteres e defendeu a importância da escuta, da vivência em campo e do contato com a realidade como pilares essenciais no processo de aprendizagem, especialmente em um cenário marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial.

Podemos dizer que no Profissão Repórter você atua como um “professor em campo”, orientando jovens repórteres na prática? 

Em campo, sim, mas dentro de um processo colaborativo. Eu aprendo com eles e acredito que eles também aprendem comigo. A experiência tem muito valor, mas procuro ser menos professor e mais aluno, com a postura de quem vai para a rua para aprender. Quando estamos em contato com as pessoas, aprendemos com quem entrevistamos. Esse aprendizado é constante. 

Na sua avaliação, a formação dos jovens profissionais acontece de forma mais efetiva na prática ou na sala de aula? Ou na combinação das duas? 

Acredito que as duas frentes são complementares. O conhecimento acadêmico e dos livros é fundamental, mas, sozinho, não é completo. As instituições de ensino têm um papel essencial na produção científica, algo de que o Brasil precisa muito. Ao mesmo tempo, é importante que esse conhecimento esteja em sintonia com a realidade da cidade, do estado e do país. Com a chegada da inteligência artificial, esse contato com a realidade se torna ainda mais relevante, porque a tecnologia organiza informações, mas a vivência em campo capta o presente, o que está acontecendo agora. E isso é insubstituível 

Você acredita que essa relação entre teoria e prática deve ser aplicada a todas as áreas profissionais? 

Com certeza. A ausência da prática é uma grande inimiga, porque perdemos credibilidade quando não informamos corretamente. Quem avalia se algo está certo ou errado não é a autoridade, o mestre ou o repórter, mas quem vive aquela realidade. É essa pessoa que sente os efeitos das decisões, sejam elas positivas ou negativas. 

Quais competências você considera essenciais para a formação de profissionais críticos e éticos, especialmente em um cenário de informação acelerada e redes sociais? 

O conhecimento transmitido pelos professores e pelas instituições é essencial, desde a base até a universidade. Mas também é importante valorizar o saber que vem da vivência, da família, da comunidade, das gerações anteriores. O respeito às origens e às trajetórias ajuda a entender que o presente é resultado de quem veio antes. Todas as profissões têm valor, e aprendemos muito com a escuta. Mesmo quando achamos que já sabemos bastante, sempre há espaço para aprender mais. 

Ao orientar jovens repórteres, qual é o maior desafio ao lidar com erros e inseguranças dos estudantes? E como transformar essas experiências em aprendizado? 

Lidamos com isso todos os dias. Tenho 75 anos e mais de 50 de trabalho na rua, e ainda assim continuo cheio de dúvidas. Imagine quem está começando. Essa mistura de experiências é muito rica. O processo não precisa ser apressado. A busca pelo conhecimento ajuda a diminuir o medo. Cada pessoa carrega uma grande história, com muitos lados, e, quando somos honestos com o que sabemos e com o que ainda não sabemos, conseguimos fazer um trabalho melhor. 

Com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, mudou a forma de ensinar e aprender jornalismo? Na sua opinião, o que permanece insubstituível no olhar humano? 

A tecnologia e a inteligência artificial são ferramentas extraordinárias para melhorar a qualidade do nosso trabalho. Mas também podem ser usadas para distorcer a verdade. Muitas vezes, é difícil para as pessoas distinguirem o que é falso do que é real. Por isso, é importante denunciar abusos e criar espaços de debate, como fóruns e conselhos de comunicação. 

Qual deve ser o papel da universidade no combate às fake news e na formação de leitores e produtores de conteúdo mais conscientes?

A universidade tem a missão de formar cidadãos melhores. É um grande desafio, mas passa por algo muito próximo do trabalho do repórter: questionar, investigar e buscar as fontes. De onde vem essa informação? Qual é o contraditório? Quais são os diferentes olhares sobre essa história? É assim que se constrói um juízo mais crítico e consciente.

Se você estivesse hoje em uma sala de aula universitária, que pergunta faria aos alunos para entender quem eles são e como eles aprendem? 

Eu pediria que contassem um pouco sobre suas vidas: onde nasceram, quem são seus pais, o que fazem, quais experiências carregam. Também perguntaria o que estão vivendo naquela instituição e o que esperam do futuro. Ouvir essas histórias é uma forma de conhecer verdadeiramente quem está ali e entender como cada um aprende. 

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