
Encontro abordou influências históricas e culturais na arquitetura e partiu da polêmica envolvendo o cantor João Gomes para discutir diferentes concepções de moradia
O curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Max Planck (UniMAX) realizou de forma online, no dia 5 de março, sua aula magna com o tema “Casas quadradas ou casas de vó? De onde vêm as referências da arquitetura?”. O encontro reuniu estudantes, convidados externos e professores para refletir sobre as influências históricas e culturais que moldam a forma como as casas são projetadas.
A discussão teve como ponto de partida a repercussão de uma experiência do cantor João Gomes, que relatou não ter se identificado com o projeto de uma residência elaborado por um escritório de arquitetura. Segundo o artista, o modelo apresentado, com platibanda, telhado embutido e linhas retas não se adequava à ideia de lar que ele imaginava, marcada por alpendre, telhado aparente e cobertura de cerâmica.
A partir desse episódio, a aula magna explorou como diferentes referências arquitetônicas se formam ao longo da história e influenciam tanto profissionais quanto o público em geral.
“Esse episódio nos ajuda a refletir sobre como as pessoas constroem suas referências de casa e de arquitetura. Muitas vezes, o que um arquiteto entende como solução moderna e adequada pode não dialogar com a memória afetiva ou cultural de quem vai morar naquele espaço”, afirma a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UniMAX, professora Elena Furlan.
Duas arquiteturas
O encontro contou com a participação do arquiteto urbanista Frederico Vergueiro Costa, formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mestrado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Historiador e pesquisador de teoria da arquitetura, ele apresentou uma análise histórica sobre as origens dessas referências.
Durante a palestra, foram discutidos dois grandes conjuntos de influências presentes na arquitetura brasileira. De um lado, a arquitetura moderna marcada por linhas retas, janelas amplas e telhados embutidos, associada a obras emblemáticas como as construções de Brasília, cidade planejada e inaugurada na década de 1950. De outro, a herança colonial portuguesa, que inspira casas com telhados aparentes, varandas e alpendres, elementos comuns no imaginário popular.
“O mais importante é entender de onde vêm essas referências. Quando analisamos a história da arquitetura, percebemos que não se trata de exaltar ou criticar um estilo específico, mas de compreender essas influências e buscar soluções que dialoguem com diferentes contextos e expectativas”, explica Elena.
Segundo a coordenadora, o tema é especialmente relevante para os estudantes que estão ingressando na graduação. Durante a aula magna, os alunos participaram ativamente, com perguntas e debates sobre as referências discutidas. “Ao reconhecer as referências que carregamos, os futuros arquitetos conseguem projetar de forma mais consciente. Isso evita repetir padrões sem reflexão ou criticar estilos sem compreender sua origem”, conclui.





